30 ANOS

Pois é PAI, hoje está completando 30 anos que você nos deixou e foi para perto de Deus. Partiu cedo demais, mas quem somos nós para questionar o ciclo da vida; principalmente este teu filho que, como tu sabes, tem imensas dificuldades de lidar com isto.

Escrevo hoje para registrar o quanto fui abençoado pelo PAI que tive e pela benção de estar contigo sempre.

Lembro como se fosse hoje, do nosso 01 de fevereiro de 1987, um domingo. Passamos o dia inteiro no lugar que você mais gostava, o Jóquei Clube do Rio Grande do Sul. Os cavalos tinham um significado especial para você. Ainda pequeno (9 anos), você viajava pela colônia entregando e vendendo aquilo que seus irmãos e meu avô produziam no campo. Dormindo na rua e com medo da noite, você se aconchegava no meio das patas dos cavalos. Eles eram a sua segurança, os seus únicos amigos que podiam lhe proteger, pois viajava sozinho. Uma criança indefesa de apenas 9 anos; mas a vida no campo sempre foi dura, principalmente há quase 100 anos atrás.

Voltando ao nosso dia, almoçamos um galeto e passamos a tarde assistindo as corridas e apostando. Confesso que não lembro se ganhamos ou perdemos, mas nos divertimos muito. Você estava sereno!

Lá pelas 20 horas eu te deixei na tua casa. Lá pelas 22 horas você me ligou e disse que não estava legal. Fiquei assustado, pois você sempre foi muito forte e nunca tinha feito isso na sua vida toda. Corri para tua casa e disse que íamos ao hospital. Saímos conversando e você dizendo que era somente um mal estar. Já no hospital estava eu preenchendo a tua ficha, quando olhei para trás e vi você com um semblante de dor e levando a mão ao peito. Alertei um médico que passava e ele prontamente foi te atender. Levaram você e foi a última vez que te vi com vida e, infelizmente, não consegui dar o último beijo.

A sua passagem foi rápida; algo que você sempre pediu à Deus e ele lhe atendeu. Você não queria passar pelo que meu avô tinha passado, aqueles 8 anos em uma cama e que tanto lhe fizeram sofrer.

PAI, dizem que o tempo resolve muitas coisas, mas não tudo. Posso te afirmar que a dor e a saudade são as mesmas de 30 anos atrás.

Até algum dia quando estaremos juntos para sempre.

Te amo!

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